Imagens mostram imigrantes imóveis e sangrando na fronteira de Melilla


Dezenas de pessoas foram fotografadas deitadas perto de uma cerca na fronteira marroquina, algumas sangrando e muitas aparentemente sem vida, em vídeo que pretende mostrar as consequências de uma travessia em massa de imigrantes para um enclave espanhol na sexta-feira, na qual pelo menos 18 morreram.

As autoridades marroquinas disseram que o desastre ocorreu depois que os imigrantes tentaram invadir uma cerca no enclave de Melilla, com alguns morrendo esmagados após o que as autoridades chamaram de debandada, e outros caindo de uma cerca.

A filmagem foi postada no Facebook pela filial local da Associação Marroquina para os Direitos Humanos (AMDH), que trabalha com migrantes, inclusive perto de Melilla. O chefe da filial da AMDH perto de Melilla, Omar Naji, disse à Reuters que os vídeos foram feitos por membros e simpatizantes da associação.

No início da manhã de sexta-feira, cerca de 2.000 imigrantes tentaram invadir a cerca do enclave no território espanhol, provocando duas horas de confrontos violentos com as forças de segurança marroquinas e espanholas, disseram Rabat e Madrid. Cerca de 100 pessoas conseguiram atravessar.

Um membro das forças de segurança marroquinas na cerca da fronteira que separa Marrocos do enclave de Melilla, no norte da África, na Espanha, perto de Nador, no Marrocos. -(Foto de Hicham RAFIH/AFP via Getty Images)

Imagens postadas pela AMDH mostraram uma densa concentração de pessoas deitadas em um canto fechado onde duas altas cercas de metal se encontram no que parecia ser um portão de fronteira.

Marrocos disse que 18 pessoas morreram. A AMDH disse que o número de mortos foi de 29. A Espanha disse que ninguém morreu no seu lado da fronteira. Autoridades marroquinas e espanholas disseram que imigrantes atacaram guardas de fronteira com armas ao tentar invadir a cerca.

A Reuters não conseguiu falar com nenhum dos migrantes que tentaram atravessar.

Os enclaves de Ceuta e Melilla, no norte da África, na Espanha, tornaram-se um ímã para a maioria dos migrantes da África subsaariana que tentam chegar ao solo europeu.

A última incursão ocorre apenas alguns meses depois que a Espanha mudou sua posição no Saara Ocidental para se aproximar da posição de Marrocos, encerrando uma disputa de um ano ligada ao território disputado e garantindo um acordo para fortalecer a cooperação no controle de fronteiras.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, culpou neste sábado os traficantes de pessoas da “máfia” pela violenta e fatal incursão na fronteira na qual vários oficiais espanhóis e marroquinos também ficaram feridos.

“Foi um ataque à integridade territorial de nosso país”, disse Sanchez em entrevista coletiva em Madri.

Confrontos

Um videoclipe postado pela AMDH mostrou um grande número de migrantes africanos empilhados juntos, seus corpos sobrepostos, muitos imóveis e alguns fazendo gestos débeis, com as forças de segurança marroquinas de pé sobre eles em equipamentos anti-motim.

O mesmo clipe mostrava forças de segurança puxando dois migrantes sangrando e com aparência atordoada passando por aqueles que estavam caídos no chão. Outro clipe mostrava um oficial de segurança marroquino atingindo um dos vários imigrantes deitados de bruços ao lado de uma cerca de metal.

Sanchez prestou homenagem na sexta-feira aos oficiais de ambos os lados da fronteira por combaterem “um ataque violento e bem organizado”.

“As táticas dos migrantes (que tentam entrar em Melilla) mudaram. Antes se espalhavam por toda a extensão da cerca. Agora eles se concentram na parte onde acham que é mais fraca”, disse uma fonte da polícia espanhola.

A fonte disse que o grupo de imigrantes que tentou invadir a fronteira atacou os guardas da fronteira com paus, facas e ácido. “Todos eles tentam atravessar ao mesmo tempo”, disse a fonte.

Eduardo de Castro, presidente do governo regional de Melilla, disse à televisão RTVE no sábado: “Este foi um ataque muito violento, mas você tem que pesar a proporcionalidade (da reação) por parte de Marrocos”.

Imagens postadas nas redes sociais pelo sindicato de oficiais da Guarda Civil da Espanha – cuja veracidade a Reuters não conseguiu verificar – mostraram uma grande coluna de imigrantes do sexo masculino, em sua maioria jovens, circulando pelas ruas próximas à fronteira.

Alguns pareciam estar carregando bastões e jogando projéteis enquanto nuvens de fumaça marcavam o ar ao redor deles.

Autoridades no Marrocos disseram que 140 membros de suas forças de segurança também ficaram feridos, cinco gravemente, embora nenhum tenha morrido.

Um porta-voz do governo espanhol em Melilla disse que ninguém morreu no lado espanhol da fronteira, onde 57 imigrantes e 49 policiais ficaram feridos.

“Este é o incidente mais grave (na fronteira entre Espanha e Marrocos) desde 2014, quando 15 pessoas morreram”, disse Esteban Beltran, diretor da Anistia Internacional na Espanha.



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