Senadores brasileiros abrem processo contra presidente Jair Bolsonaro por prevaricação | Noticias do mundo


Três senadores brasileiros acusaram formalmente o presidente Jair Bolsonaro de prevaricação perante a Suprema Corte na segunda-feira, por acusações de que ele não investigou um dos principais aliados por suspeitas de corrupção maciça na compra de vacinas Covid-19.

A queixa criminal surge depois que uma comissão do Senado que investigava a resposta do governo à pandemia descobriu acusações explosivas na semana passada de que Bolsonaro sabia da suspeita de corrupção no negócio de US $ 300 milhões do Brasil para a vacina indiana Covaxin e não interveio.

“Apresentei uma queixa criminal hoje no Supremo Tribunal por causa da grave acusação de que o presidente não tomou nenhuma atitude depois de ser notificado de um gigantesco esquema de corrupção no ministério da saúde”, disse o senador da oposição Randolfe Rodrigues, vice-presidente da comissão.

Um processo criminal contra Bolsonaro perante a Suprema Corte poderia levá-lo a destituí-lo do cargo – embora o procurador-geral Augusto Aras, um aliado, tivesse de apresentar as acusações.

Mais imediatamente, o caso corre o risco de prejudicar politicamente Bolsonaro em um momento em que seu apoio está diminuindo e as pesquisas o colocam bem atrás do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva que se dirige às eleições no ano que vem.

Faturamento excessivo

As alegações surgiram quando uma empresa sediada em Cingapura, agora suspeita de ser uma empresa de fachada, cobrou do Ministério da Saúde brasileiro US $ 45 milhões por doses ainda a serem entregues de Covaxin, que não tinham aprovação regulatória no Brasil.

Isso levantou bandeiras vermelhas para um funcionário do ministério da saúde chamado Luis Ricardo Miranda.

Ele se recusou a assinar o adiantamento, já que o contrato do Brasil para a Covaxin não mencionava nenhuma empresa em Cingapura e dizia que o pagamento seria feito na entrega.

Miranda disse ao inquérito do Senado que seus superiores no ministério exerceram pressão “atípica e excessiva” sobre ele para aprovar a transação.

Ele levou suas preocupações ao irmão, Luis Miranda, deputado e apoiador do Bolsonaro, que marcou um encontro entre eles com o presidente.

O congressista Miranda testemunhou na sexta-feira que Bolsonaro disse a eles na reunião de 20 de março que suspeitava que o acordo com a Covaxin era um esquema corrupto armado por Ricardo Barros, um poderoso legislador que lidera a coalizão de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O congressista Miranda disse que Bolsonaro lhe disse que ordenaria que a polícia investigasse, mas nunca o fez.

Outras irregularidades no negócio da Covaxin com o Brasil logo surgiram, forçando o governo a cancelá-lo sob pressão.

Segundo o jornal Estado de São Paulo, a fabricante da vacina, Bharat Biotech, cotava inicialmente ao preço de R $ 1,34 a dose.

Mas o Brasil concordou em pagar US $ 15 a dose, mais do que qualquer outra vacina comprada.

Protestos pró-impeachment

O escândalo pode marcar uma virada na investigação do Senado, que já tem sido prejudicial para Bolsonaro.

Por dois meses, um desfile de testemunhas testemunhou como o líder de extrema direita e seu governo desprezaram descaradamente os conselhos de especialistas sobre como conter a Covid-19, que já custou mais de meio milhão de vidas no Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Bolsonaro minimizou o vírus como uma “pequena gripe”, lutou contra bloqueios, questionou máscaras e rejeitou várias ofertas de vacinas – incluindo vacinas que eram mais baratas e eficazes do que a Covaxin – enquanto promovia medicamentos não comprovados como a cloroquina e instava os brasileiros a voltarem trabalhar.

Agora, no entanto, ele enfrenta acusações de que sua resposta à pandemia não foi apenas inepta, mas também criminosa.

Os líderes da oposição convocaram protestos em massa para quarta e sexta-feira exigindo o impeachment de Bolsonaro.

O polarizador presidente já enfrenta mais de 100 pedidos de impeachment no Congresso, mas foi protegido até agora por sua aliança com o poderoso “Centrao”, uma coalizão frouxa de partidos conservadores.

Barros, o parlamentar agora suspeito de ser o mentor do negócio com a Covaxin, é uma figura importante nessa coalizão.



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