Médico sênior alerta que ‘milhões podem morrer’ no Irã


O Irã emitiu seu alerta mais terrível ainda sobre o surto de coronavírus, sugerindo que “milhões” poderiam morrer na República Islâmica se o público continuar viajando e ignorando as orientações de saúde.

A alegação de um médico sênior na TV estatal surgiu quando o vírus matou mais 135 pessoas no país – um aumento de 13% que aumenta o número de mortos para 988 em meio a 16.169 infecções.

O aumento acentuado do número de mortos está causando preocupação entre os especialistas de que o surto na República Islâmica está longe de ser contido.

Enquanto isso, sexta-feira marcará o Ano Novo Persa, Nowruz, aumentando o medo das pessoas que viajam e espalhando o vírus ainda mais.

Pessoas que usam máscaras exercitam-se na margem de um lago artificial, em Teerã Ocidental (AP)

O jornalista iraniano de TV estatal, Dr. Afruz Eslami, citou um estudo da prestigiada Universidade de Tecnologia Sharif de Teerã, que ofereceu três cenários.

Ela disse que se as pessoas começarem a cooperar agora, o Irã verá 120.000 infecções e 12.000 mortes antes que o surto termine.

Se eles oferecerem cooperação média, haverá 300.000 casos e 110.000 mortes, disse ela.

Eslami, porém, alertou que, se as pessoas não seguirem qualquer orientação, isso poderá desmoronar o sistema médico já sobrecarregado do Irã.

Se as instalações médicas não forem suficientes, “haverá quatro milhões de casos e 3,5 milhões de pessoas morrerão”, disse ela.

Eslami não detalhou quais métricas o estudo usou, mas mesmo relatou na televisão estatal estritamente controlada do Irã representou uma grande mudança para um país cujas autoridades há dias negavam a gravidade da crise.

Uma mulher vestindo uma máscara facial compra em uma loja no shopping Bamland, em Teerã Ocidental (AP)

Também emergiu que o Irã libertou 85.000 prisioneiros em licença temporária, em uma tentativa de conter a propagação da doença.

O porta-voz do judiciário Gholamhossein Esmaili disse que os libertados incluem metade de todos os prisioneiros “relacionados à segurança”, sem dar mais detalhes.

Os países ocidentais pediram ao Irã que liberasse cidadãos nacionais e outros detidos como moeda de troca nas negociações.

Entre os libertados está Mohammad Hossein Karroubi, filho do líder da oposição Mehdi Karroubi, que ficou preso por quase dois meses.

Os fiéis xiitas mais antigos e de linha dura abriram caminho para os pátios de dois grandes santuários que haviam acabado de ser fechados devido ao medo do vírus.

Aproximadamente nove em cada dez dos mais de 18.000 casos do novo vírus confirmado no Oriente Médio vêm do Irã, onde as autoridades negaram por dias o risco de o surto representar.

Um bombeiro desinfeta o santuário de Saint Saleh (AP)

As autoridades já implementaram novas verificações para pessoas que tentam deixar as principais cidades antes de Nowruz, o Ano Novo Persa, na sexta-feira, mas hesitaram em colocar as áreas em quarentena.

Na noite de segunda-feira, multidões furiosas invadiram os pátios do santuário do Imam Reza, em Mashhad, e do santuário Fatima Masumeh, em Qom.

As multidões normalmente rezam lá 24 horas por dia, sete dias por semana, tocando e beijando o santuário. Isso preocupou as autoridades de saúde, que por semanas ordenaram que o clero xiita do Irã os fechasse.

Na segunda-feira, a TV estatal havia anunciado o fechamento dos santuários, provocando as manifestações.

O Presidente Hassan Rouhani disse, apesar do fechamento, “nossa alma está mais próxima dos santos do que a qualquer momento”.

A TV estatal informou que o Irã enviou equipes para rastrear viajantes que saem das principais cidades em 13 províncias, incluindo a capital, Teerã.

Mas o Irã tem 31 províncias e as autoridades não tomaram medidas para bloquear o país, em conjunto com as medidas tomadas nas nações aliadas do Iraque e do Líbano.

As equipes verificam a temperatura dos viajantes e as enviam com febre aos centros de quarentena. O Irã vem pedindo às pessoas que fiquem em casa, mas muitos ignoraram a ligação.



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